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26 de julho de 2014

RELATO DO MEU QUASE PARTO - PARTE 2

Se você não leu a parte 1, CLIQUE AQUI.

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“Não sei o que aconteceu, Débora. Você está com os mesmos 5cm desde o último toque há 12hs atrás. E está com um edema.”

Eu não sabia se acreditava. Juro que vi tudo rodando. Perguntei de novo com quantos centímetros eu estava e ela me confirmou os 5.

Foi só ela sair da sala que eu desabei. Acho que nunca chorei daquele jeito. Eu não conseguia pensar, não conseguia sequer respirar. Quase 24hs de dor, e foi só nesse momento em que o pânico me atingiu (e é incrível como as dores ficam praticamente insuportáveis quando se está em pânico).

“Como assim 5cm? Fiquei 12hs com contrações para NADA?”
Vi minha doula tentando me abraçar, mas acho que me esquivei. Me lembro de tê-la visto chamar meu marido, e foi nessa hora que eu me agarrei. Foi agarrada nele que eu consegui respirar de novo.

Eu que tinha implorado para o meu esposo não deixar eu tomar anestesia, me vi implorando por uma.
Eu sabia que precisava. Não por causa da dor. Não por isso. A dor apesar de forte é completamente suportável. Mas eu estava há 2 dias sem dormir, e desde o dia anterior naquele hospital. PRECISAVA  dormir.

Foi aí que o 1º anjo apareceu na porta do banheiro, Drª Bruna Ortiz. Eu nem prestei atenção no que ela disse tamanha era a dor e o meu cansaço (obrigada por prestar atenção por mim, Malila).
Ela chegou lá para me explicar que se eu tomasse anestesia, precisaria colocar a ocitocina artificial.

Eu não queria isso. Fui lá para parir naturalmente. Sem sorinho, sem intervenções.
Mas eu não estava agüentando.

Fiz OBRIGADA o 2º exame de cardiotocografia. Quase morri sentindo contrações deitada. A pressão no ânus e a dor nas costas eram horríveis!
Olhos atentos ao monitor e mais uma vez, o coração dele estava perfeito.

Conversei com a Drª Bruna e disse que eu não estava pedindo anestesia por desespero. Eu realmente precisava descansar.

No meio no exame, eu cochilei por alguns instantes. Lembro de ter vontade de chorar, porque quando eu pegava no sono, vinha outra contração.

A enfermeira Estefânia voltou e estava com uma expressão diferente. Parecia que se sentia culpada e triste (soube depois que a Malila deu uma bronca nela, hahaha). Conversou comigo e me pediu para considerar a ocitocina e não desistir do meu parto.

“O que? Desistir? Eu não vou desistir!”

Eu não sei o que ela pensou. Mas em hipótese nenhuma eu pensei em desistir.

Tomei a anestesia e colocaram ocitocina.
Lembro da médica ter dito que colocaria uma dose bem baixa, somente para eu descansar, e que logo eu voltaria a sentir dor.
E foi o que aconteceu. Somente cochilei e voltei a sentir dores.

Fui novamente pro chuveiro e tomei um bom banho. Escovei os dentes, penteei o cabelo.
Estava feliz. Estava descansada e pronta para parir.

Já tinha sol lá fora e lembro do meu marido comentando que dava pra ver o Cristo Redentor da nossa janela.

A Drª Bruna fez outro toque e disse que o edema tinha sumido e que eu estava com 6cm/7cm de dilatação.

Fiquei tão feliz!  Nem acreditava!
Foi nesse momento que eu prestei atenção na Drª. Lembro de como eu fiquei impressionada com seu tom de voz. Nunca vi um médico com um tom tão calmo e tranqüilizador.

Horas depois conheci o 2º anjo, Drª Júlia Fatorelli.
“Tão simpática, tão bonita” foi o que eu pensei.

Malila me deu um tapinha e disse que eu era muito sortuda. Peguei o melhor plantão da MMA.

Depois de um tempo a Drª Bruna voltou dizendo que ia terminar de romper minha bolsa para melhorar a passagem do bebê.
Disse que estava com quase 8cm e que estava tudo indo bem.

Foi quando ela tirou a mão e olhou a luva com uma expressão observadora. Lembro de ter reparado, mas pensei ser só sangue e não me preocupei.

Momentos depois ela volta com a Drª Júlia e me dá a notícia.

“Débora, vimos mecônio ao fazer o toque. Você já está há bastante tempo em TP e precisamos observar.”

Lembro de perguntar diversas vezes se eu precisava me preocupar, e percebi que não respondiam minha pergunta. Só diziam que precisavam observar.

Fui para o meu 3º exame de cardiotocografia, e dessa vez me deram um botão para apertar caso o bebê mexesse.

Assim que o exame começou, Davi mexeu. E foi a última vez que eu pude senti-lo. A   partir desse momento, eu só tentava conter as lágrimas. O coração do meu menino estava ou baixo demais, ou alto demais.

Fechei os olhos para não ver mais.

Drª Júlia me disse o que eu já sabia.

“O que vi aqui não foi bom. Eu te indicaria a cesariana, tudo bem?”

A última lágrima desceu, e eu disse que sim.

Malila tentava conversar comigo, me perguntava se eu tinha dúvidas e a única dúvida que eu tinha era se era culpa minha.

Nesse momento você fica perdida. Sua cabeça fica cheia de “...e se?”.

E então a Drª Júlia me disse algo que até ecoa em minha mente e coração. 
Foi (e ainda é) o meu consolo.

“Não foi em vão. Nada aqui foi em vão. O Davi terá os benefícios do TP”.

E assim as perguntas cessaram.

Fui abraçada pelo meu marido que chorou junto comigo.
Nosso sonho de um parto natural não ia acontecer.

Drª Bruna me buscou e ainda brigou com a enfermeira que insistia em me colocar na cadeira de rodas.
“Grávida não é doente!” disse ela.

Lá, eu não me lembro de praticamente nada.
Lembro que a Drª Bruna começou a cantar (acho que foi uma música da Isadora Canto).
Lembro de levar um beliscão e dizer que doeu, e depois... eu apaguei (fui sedada).

A maior dor que carrego é de não ter visto meu filho nascer. Não segurei na mão do marido. Não pude olhar em seus olhos para o medo não tomar conta de mim. Eu simplesmente apaguei.

Eu carrego boas lembranças desse dia. Saber que meu filho veio na hora dele, isso me consola.
Saber que eu suportei 32hs de TP desde o início das dores, sendo 21:30hs de TP ativo, isso me orgulha.
E olhar o rostinho mais lindo do mundo, isso alivia um pouco.

Mas a dor de uma cesárea, a dor interna, nunca passa.





Davi nasceu dia 26/05/2014 (aniversário do meu casamento) às 13:32hs, com 3,690kg e 52cm. APGAR 9/10. Não foi amamentado na 1ª hora de vida, mas assim que abri os olhos, ele foi colocado em meu seio.

Foi defendido pelo seu pai. Não foi aspirado. Não teve Colírio de Nitrato de Prata em seus olhos. Não recebeu Vitamina K intramuscular. 


Obrigada, Deus... por me escutar, e atender, me consolar, me proteger. Sei que tudo o que encontrei, os profissionais maravilhosos que me atenderam não foi pura sorte. Foi tudo por Tuas mãos. E é tudo para Tua honra e glória.

Obrigada, amor... eu vi seu cansaço. Horas sem dormir para ficar junto comigo. Me abraçou, me deu a mão. Chorou comigo. Disse a todo momento que eu era forte e que tinha orgulho de mim. Sem você eu não conseguiria. Eu te amo.

Obrigada, Malila... que dom maravilhoso é esse que você tem! Te agradeço desde os olhares, as massagens, os 300 copos de água que foi buscar para mim. Será para sempre minha doula!

Obrigada, Drª Bruna Ortiz e Drª Júlia Fatorelli... em nenhum momento eu me senti forçada a algo. Mesmo fazendo a cirurgia, eu me senti respeitada para tomar a decisão que eu achasse correta. Vocês foram anjos na minha vida. Irei para sempre lembrar de vocês com carinho.

Obrigada, Davi... você me fez conhecer o amor mais puro que existe. Te amo, filho. PARA SEMPRE.



OBS: VBAC !!!!!!!!!!!!!

**VBAC - Vaginal Birth After Cesarean/Parto normal após cesárea

24 de julho de 2014

RELATO DO MEU QUASE PARTO - PARTE 1

Davi, O BEBÊ.
Débora, A MÃE.
Vinicius, O PAI.
Malila, A DOULA.

Sábado, 24/05/14

Já há 2 dias com contrações atrapalhadas. Irregulares, porém constantes.
Já havia conversado com a Malila e ela só me acalmava dizendo ser os possíveis pródromos. Como a minha última consulta pré-natal tinha sido já há algum tempo, ela me aconselhou a passar por uma avaliação na Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda (MMA) no domingo.

Estava prestes a completar 41 semanas e já não agüentava mais tanta barriga.
Então eu orei... 

“Senhor, eu não quero ir naquele hospital à toa. Quero ir em Trabalho de Parto”.

Domingo, 25/05/14
*5hs da manhã

Após dormir com muito custo (ansiedade, desconforto, dor nas costas), uma dor bem forte me acordou. Fiquei confusa pelo sono e voltei a dormir.
A dor voltou 1 vez, e 2 vezes, e 3 vezes...
Fui tomar um banho quente para ver se elas sumiam e para minha surpresa, ficaram mais presentes.

*5:20hs

Acordei Vinicius e depois Malila.
Ela me orientou a ir para maternidade e eu levei um susto.

“Mas já? E todo aquela coisa de passar o TP em casa com massagens e banhos relaxantes?”

E foi só depois que entendi que o que eu estava sentindo há 2 dias não eram pródromos, e sim o início do meu TP.


Cheguei na maternidade às 8hs com contrações regulares de 4 em 4 minutos.

Demorei 1h para ser avaliada e fui surpreendida ao ser atendida pela Super Drª Bernadette Bousada em pleno domingo.

Estava na esperança de já estar com 5cm, mas estava apenas com 2cm.
Como minha doula sempre dizia “não se apegue aos números” eu não me deixei abater.

Após a avaliação fui encaminhada para fazer o meu 1º exame de Cardiotocografia. E, NOSSA! Como dói ficar deitada durante as contrações! 


Fiquei o tempo todo olhando o monitor e o coração do meu filhote estava perfeitinho.



Fui a pé para uma lanchonete perto da maternidade.
Comi pão de queijo e bebi suco de uva.

De repente, toca no celular da atendente a música “Jamais deixarei você/Bruna Karla” que eu cantei para meu esposo no dia do nosso casamento. Coincidentemente, era nosso aniversário de casamento no civil.
Tudo estava maravilhoso! Eu estava tão feliz!

 Voltamos para a maternidade e fui avaliada novamente.
3cm.

“O QUE?” na hora me bateu uma decepção enorme. Mas incentivada pela Malila e agarrada nas mãos do marido, fui caminhar pela maternidade para dilatar os 2cm restantes.
Driblamos uns seguranças chatos que insistiam que eu só poderia ter 1 acompanhante e 2hs mais tarde, fui reavaliada. Consegui os meus 5cm.

Na hora a dor diminuiu só pelo fato de eu ter relaxado. Só de imaginar o chuveiro quente da sala de parto, eu já sorria.
Ficar em TP com pessoas te olhando é constrangedor.

Malila me perguntou se eu queria ir a pé ou sentar na cadeira de rodas, e eu só respondi “o mais rápido”.


*16:00hs
NA SALA DE PARTO

Entrei e já fui perguntando onde era o chuveiro. Liguei e esperei esquentar. Malila desligou todas as luzes mas e me senti cega. Preferi as luzes acesas. Então ela ligou o foco de luz (aqueles usados em cirurgias) e virou para parede. Ficou meia-luz, eu gostei.


Esperei meu marido entrar (ele foi buscar as malas no carro) e fui para o chuveiro. Parecia que eu tinha tomado anestesia. QUE NEGÓCIO BOM!
Fiquei lá por horas.

Várias enfermeiras vieram verificar o coração do bebê. As mais especiais eu guardei o nome e a fisionomia.

A primeira foi a Arianna, enfermeira com o pingente do SIAPARTO. E eu só pensava “como eu consegui um plantão tão bom em pleno domingo?”

Não sei quanto tempo fiquei debaixo do chuveiro. Só sei que quando eu saia de lá, já queria voltar.
Fiquei na bola, na banqueta, e pé, agachada. Mas no chuveiro sempre era melhor.



Fui preparada com meu plano de parto em mãos. Assim que entrei na sala eu deixei disponível para as EO e médicos. Para minha surpresa, soube que fui disputada pelo plantão. Todos queriam atender a ÚNICA paciente com plano de parto.


Pensava o tempo todo “como estou feliz!”.
Eu estava sentindo muita dor, mas estava tão feliz!
Chorava e sorria todo o tempo. Como eu desejei sentir aquelas dores!
Em momento nenhum eu sofri. Sentir dor não é sofrer. Pelo menos não a dor de trazer uma vida.





Comecei a ter contrações mais intensas e bem mais próximas umas das outras. Estava evacuando involuntariamente e sentia que ao fazer força a dor diminuía.
A pressão no ânus era terrível!

12hs  já tinham de passado desde a internação e 23hs desde o início das dores,  e com todos esses sinais, imaginei ter chegado a dilatação total.

Perguntei para Malila “essa bolsa não vai romper?” e ao me levantar da banqueta, senti um líquido quente escorrer pelas pernas.

Logo veio uma outra enfermeira. Essa eu também lembro o nome. Estefânia.

Ouviu o coração do bebê e estava perfeito. Malila até brincou dizendo que o Davi não estava nem aí para nada porque nem durante as contrações o seu coração oscilava.

Sentei na banqueta para fazer o toque.

E então, levei um soco no estômago...


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