Decidi registrar a minha visão sobre o parto antes de realmente ter que passar por ele.
Talvez o meu pensamento mude, talvez não seja realmente aquilo o que eu pense.
Quando conversei com meu esposo sobre, ele logo me disse: "Prefiro que faça cesárea! Não quero te ver sentindo dor. E eu vou ficar tão nervoso que não vou conseguir dirigir!"
E então decidimos por cesárea (sem antes mesmo eu estar grávida).
Bem, porque não? Eu teria sempre familiares para me ajudar. O meu próprio marido se dispôs a pegar o bebê toda vez que ele chorasse.
E sem contar que a cesárea possibilitaria meus pais de virem me ver na hora do parto, já que eles moram em outro estado.
Decidido? NÃO! Algo não estava certo.
Pesquisei, pesquisei e... cheguei a algumas conclusões.
Hora certa:
Deve ser a pior coisa do mundo sair do hospital sem seu bebê. O parto natural ocorre a hora certa, na hora QUE o bebê escolhe. Se não está bom pra ele lá dentro, ele decide nascer. Simples assim!
Nunca me esquecerei da frase que o PEDIATRA RICARDO CHAVES disse:
"Nós combinamos com o bebê que ele vai nascer sexta-feira as 4h da tarde?
E se combinamos, ele respondeu?"
Leite materno produzido mais rapidamente:
Meu sonho é amamentar. Se você reparar, todo bebê olha nos olhos da mãe quando está mamando. Acho a forma mais linda de carinho. Sem falar nos inúmeros benefícios que todos já conhecem (comerciais passam sempre na TV).
Durante o trabalho de parto, a mulher produz os hormônios ocitocina e prolactina, que facilitam a descida do leite. E como o corpo entenderá que chegou a hora de produzir o leite se ele não foi avisado o dia e a hora da cesárea?
O leite materno costuma descer de 3 a 5 dias após a cesárea.
E até lá? Não quero correr o risco do bebê acostumar com a mamadeira.
Existem hospitais que ainda na sala de parto, colocam o bebê no peito da mãe para tomar o colostro.
Recuperação:
Moro em uma casa de 2 andares (cozinha em baixo e quartos em cima). Tenho uma cachorra que pula em cima de mim toda vez que me vê. Vou fazer xixi a cada 10 minutos (e nem estou grávida ainda!!).
Imagina fazer isso tudo com um corte imenso na barriga?
Fora o banho do bebê, as 8 fraldas por dia, a troca de absorvente a cada 2 horas, as visitas incansáveis de parentes que não fazem 1 café e não lavam 1 copo.
É CLARO que terei várias pessoas para me ajudar (mãe, sogra, tia, etc). Mas poxa, é o MEU bebê. Quero muito dar o primeiro banho, trocar a fralda e nina-lo durante a noite. Não quero que façam por mim.
E xixi e cocô ninguém pode fazer por mim, né? Imagina a dor toda vez que se levantar?
Imagina beber 3 litros de água (o recomendado para a lactante) e ter que chamar alguém a cada copo (lembre-se que a escada separa a geladeira da minha cama).
E imagina ficar 2 semanas só no andar de cima da casa? Vou ficar louca!
Riscos menores:
Já pensou se o seu bebê receber alta e você não? Já pensou não poder amamentá-lo se você precisar de remédios? Já pensou se inflamar aquele corte todo? Lembre-se: são 7 camadas de pele cortadas e costuradas. Lá dentro demora bem mais do que 1 mês para cicatrizar.
OBS: Em uma cesárea, perde-se cerca de 1,5 litro de sangue, já o normal somente 500 ml.
Vantagens para o bebê:
A criança respira melhor: quando passa pelo canal da vagina, o tórax do bebê é comprimido, assim como o resto do seu corpo. “Isso garante que o líquido amniótico de dentro dos seus pulmões seja expelido pela boca, facilitando o primeiro suspiro da criança na hora em que nasce”, explica Rosângela Garbers, neonatologista do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. Sem falar que as contrações uterinas estressam o bebê – e isso está longe de ser ruim. O hormônio cortisol produzido pelo organismo infantil deixa os pulmões preparados para trabalhar a todo vapor. A cesárea, por sua vez, aumenta o risco de ocorrer o que os especialistas chamam de desconforto respiratório. Esse problema pode levar a quadros de insuficiência respiratória e até favorecer a pneumonia.
Precisa dizer mais nada né?
Vínculo entre mãe e bebê:
Receber nos braços o meu bebê quentinho, deve ser a melhor sensação do mundo. Melhor do que o primeiro beijo, melhor até do que o POSITIVO no teste de gravidez.
Na cesárea estarei de braços amarrados e vendo o meu bebê enrolado em um pano azul, sem nem poder conferir se realmente o médico estava certo quando disse "é um menino".
Vínculo entre marido e mulher/pai e bebê:
Eu imagino a cara de preocupado do meu esposo, olhando eu sentir dor, fazendo carinho nos meus cabelos. Preocupado, cansado e EMOCIONADO. Ao invés de uma toalha estendida, separando a nossa visão do acontecido, ele verá o bebê dele nascer.
Creio que a visão do homem para com a mulher deve mudar de uma maneira sobrenatural. Vê-la parir seu bebê, fazendo-o nascer, deve ser incrível.
E que lindo deve ser escutar o homem que você ama te dizer "você consegue!".
Então é isso. Decidido? SIM!
Tentarei de tudo para ter o parto o mais normal possível.
NÃO sou contra a cesárea feita com razão. Ela salva vidas.
NÃO sou contra a anestesia durante o trabalho de parto, acredito que cada mulher tem uma resistência diferente. Porém, eu farei de tudo para não tomá-la.
Se eu estiver evoluindo bem, não aceitarei o uso da OCITOCINA ARTIFICIAL. Conversarei com minha médica durante o pré-natal.
Lembrem-se sempre: Você não é coadjuvante na sala de parto. É a protagonista!!
OBS: Minha opinião foi mudada depois de muita pesquisa. Mas a decisão final chegou após assistir o vídeo
"O RENASCIMENTO DO PARTO". Vale a pena assistir.
OBS²: Meu marido fez parte de cada pesquisa e de cada decisão. Hoje ele sabe e entende sobre o parto normal e me apoia totalmente (te amo, amor! Você será um ótimo pai!).